homem business analisando duplicata escritural e dados contábeis no computador

O que muda com a duplicata escritural? Entenda principais atualizações

A duplicata escritural está transformando a forma como empresas emitem, registram, negociam e acompanham seus recebíveis. 

Com a digitalização do título e a criação de um ecossistema eletrônico regulamentado pelo Banco Central, processos que antes dependiam de documentos físicos passam a contar com maior rastreabilidade e integração.

A mudança ganhou novos contornos em 2025 e 2026, com atualizações regulatórias, autorização dos primeiros sistemas de escrituração e o início da produção assistida. Para as empresas, isso significa que contas a receber, emissão de títulos e processos de cobrança precisam ser avaliados sob uma nova perspectiva.

Neste artigo, você vai entender o que é duplicata escritural, como ela funciona, quais são as principais mudanças e o que as empresas precisam considerar para se preparar. Além disso, verá por que a integração entre processos financeiros e sistemas de gestão ganha importância nesse cenário. Continue a leitura.

O que é duplicata escritural?

A duplicata é um título de crédito que representa o direito de receber um pagamento decorrente de uma venda de mercadorias ou prestação de serviços realizada a prazo. A duplicata escritural, por sua vez, é a versão digital desse título, emitida e registrada em sistemas eletrônicos autorizados.

A possibilidade de emissão escritural foi estabelecida pela Lei nº 13.775/2018, que determinou que a duplicata nessa modalidade seja emitida por meio de lançamento em sistema eletrônico de escrituração. Posteriormente, o Banco Central passou a regulamentar o funcionamento desse ecossistema.

Na prática, o título deixa de depender de uma representação física para ter sua existência, titularidade e movimentações controladas. As informações passam a ser registradas eletronicamente, permitindo acompanhar diferentes eventos relacionados ao crédito.

Como funciona a duplicata escritural?

O funcionamento envolve diferentes participantes e etapas. De maneira simplificada, a empresa que realizou a venda a prazo, chamada de sacador, solicita a emissão da duplicata escritural a uma entidade autorizada a realizar a escrituração.

A partir daí, as informações do título são registradas no sistema eletrônico, que permite acompanhar sua situação e os eventos relacionados à negociação e liquidação.

O Banco Central explica que as duplicatas escriturais são emitidas, registradas e negociadas em sistemas eletrônicos de escrituração, registro ou depósito centralizado. Em geral, sua emissão é baseada em documentos fiscais eletrônicos.

O que mudou com a duplicata escritural?

A principal mudança está na forma como o crédito passa a ser registrado e acompanhado. O modelo escritural estabelece uma infraestrutura eletrônica capaz de concentrar informações sobre a duplicata, permitindo maior controle sobre sua existência, titularidade e movimentações.

Isso representa uma evolução importante para empresas que trabalham com grandes volumes de recebíveis, especialmente porque a gestão deixa de depender de diferentes registros e documentos dispersos.

Além disso, o Banco Central regulamentou etapas de implantação do novo modelo e estabeleceu regras para o funcionamento do ecossistema. A Resolução BCB nº 540, publicada em dezembro de 2025, alterou a Resolução BCB nº 339/2023 e introduziu novas regras para a operação do sistema, com mudanças vigentes a partir de janeiro de 2026.

A duplicata em papel deixou de existir?

Não. A duplicata cartular continua válida e pode ser utilizada. Contudo, para determinadas operações de crédito com instituições financeiras, a regulamentação prevê a utilização da duplicata escritural conforme o cronograma estabelecido pelo Banco Central.

Portanto, a mudança não deve ser interpretada como uma simples substituição imediata de todos os documentos físicos. O que está sendo construído é um novo ambiente eletrônico para emissão, registro, negociação e acompanhamento das duplicatas.

Quais são as principais atualizações da duplicata escritural?

As mudanças recentes precisam ser observadas em conjunto, considerando tanto a regulamentação quanto a implementação prática do ecossistema. Em 2026, essa transição passou a uma nova etapa, com sistemas autorizados e operações em ambiente assistido.

Entre os principais avanços estão:

  • emissão e escrituração em sistemas eletrônicos;
  • registro das informações relacionadas ao título;
  • controle da titularidade do crédito;
  • rastreabilidade das movimentações;
  • possibilidade de negociação eletrônica;
  • integração com instrumentos de pagamento;
  • maior transparência sobre os recebíveis.

O Banco Central também destaca o uso de novos mecanismos de pagamento, como o boleto dinâmico, buscando aumentar a segurança e direcionar o pagamento ao legítimo titular do crédito.

O que mudou a partir de 2026?

Em junho de 2026, o Banco Central anunciou o lançamento do ecossistema de duplicatas escriturais e apresentou o cronograma de implantação. A adesão dos sacadores começou de forma voluntária, enquanto a implementação obrigatória ocorre gradualmente, conforme o porte das empresas.

O cronograma divulgado pelo Banco Central prevê a entrada em funcionamento pleno do ecossistema a partir do segundo semestre de 2026, seguida pela implementação gradual para grandes, médias e pequenas empresas até 2028.

Em julho de 2026, a B3 também iniciou a chamada produção assistida, permitindo que empresas, financiadores e outros participantes operassem com duplicatas escriturais em condições reais antes da adoção definitiva do modelo.

Quais são os benefícios da duplicata escritural para as empresas?

A digitalização dos títulos pode gerar impactos tanto na operação financeira quanto na relação das empresas com o mercado de crédito. Isso porque a existência de informações estruturadas e rastreáveis facilita o acompanhamento dos recebíveis.

Entre os principais benefícios estão:

Maior rastreabilidade

As movimentações do título podem ser registradas eletronicamente, permitindo acompanhar sua trajetória desde a emissão até a liquidação.

Mais segurança

O ambiente eletrônico reduz a dependência de documentos físicos e permite maior controle sobre titularidade e negociação dos créditos.

Controle sobre recebíveis

A empresa passa a contar com informações mais estruturadas sobre os títulos emitidos e suas respectivas movimentações.

Possibilidade de ampliar o acesso ao crédito

A maior transparência sobre os recebíveis pode favorecer sua utilização em operações de crédito. O próprio Banco Central aponta a facilitação do acesso das empresas ao crédito entre os benefícios esperados do novo modelo.

Como a duplicata escritural impacta o contas a receber?

A mudança também deve ser analisada pelo departamento financeiro. Afinal, a duplicata está diretamente relacionada aos valores que a empresa tem a receber de seus clientes.

Em uma operação tradicional, informações sobre faturamento, emissão de títulos, boletos, pagamentos, negociações e baixas podem estar distribuídas entre diferentes sistemas. Com a duplicata escritural, a necessidade de manter esses dados organizados e integrados torna-se ainda mais relevante.

Isso porque o título passa a circular em um ecossistema eletrônico, enquanto o ERP continua sendo responsável por registrar e administrar informações financeiras e contábeis da empresa.

Por que a integração com o ERP ganha importância?

Imagine uma empresa que emite milhares de duplicatas todos os meses. Se os dados do faturamento estiverem no ERP, enquanto informações sobre os títulos estiverem em plataformas externas e os pagamentos forem controlados em outro ambiente, a conciliação pode se tornar complexa.

A integração permite aproximar essas informações, reduzindo a necessidade de controles paralelos e facilitando a conferência dos valores.

Além disso, uma estrutura integrada pode apoiar processos como:

  1. emissão e acompanhamento dos recebíveis;
  2. atualização da situação dos títulos;
  3. conciliação de pagamentos;
  4. baixa financeira;
  5. acompanhamento de valores em aberto;
  6. análise da carteira de recebíveis.

Dessa maneira, a adequação à duplicata escritural não deve ser tratada apenas como uma demanda regulatória. Ela também pode representar uma oportunidade para revisar processos financeiros e melhorar a qualidade dos dados utilizados na gestão.

Quais são os pontos de atenção para as empresas?

A adoção do novo modelo exige preparação. Embora parte relevante da infraestrutura esteja sendo estruturada pelo ecossistema regulado, as empresas continuam responsáveis pela qualidade das informações que alimentam seus processos.

Por isso, alguns pontos precisam ser avaliados antes da adoção:

Qualidade dos dados

As informações utilizadas na emissão e no acompanhamento dos títulos precisam estar corretas e consistentes. Dados divergentes podem gerar dificuldades de conciliação e retrabalho.

Integração entre sistemas

ERP, plataformas financeiras, bancos e demais sistemas utilizados no ciclo de recebimento precisam ser avaliados para identificar como as informações serão compartilhadas.

Processos de contas a receber

Também é importante revisar como a empresa registra, acompanha, concilia e baixa seus recebíveis.

Governança

Com mais informações circulando eletronicamente, estabelecer regras claras de acesso, atualização e controle dos dados torna-se ainda mais importante.

Duplicata escritural e Reforma Tributária: existe relação?

A duplicata escritural e a Reforma Tributária são temas distintos, com regulamentações próprias. Entretanto, ambos fazem parte de um movimento mais amplo de digitalização, integração e transformação da gestão empresarial.

Enquanto a duplicata escritural modifica a infraestrutura de emissão e circulação dos recebíveis, a Reforma Tributária exige que as empresas acompanhem mudanças na apuração, escrituração e apresentação das informações fiscais.

Nesse contexto, manter sistemas integrados e dados consistentes pode ser estratégico. Isso porque processos financeiros, fiscais e contábeis estão cada vez mais dependentes de informações estruturadas e capazes de circular entre diferentes sistemas.

Para empresas que estão revisando seus processos diante dessas mudanças, compreender a relação entre tecnologia, governança e conformidade pode ajudar na preparação para os próximos ciclos regulatórios.

Como preparar o ERP para a duplicata escritural?

A preparação deve começar pelo mapeamento do ciclo financeiro. Antes de implementar qualquer integração, é necessário compreender como a empresa emite suas notas, gera recebíveis, registra duplicatas, realiza cobranças e efetua a conciliação dos pagamentos.

Em seguida, os sistemas utilizados devem ser avaliados para identificar quais informações precisam ser integradas e quais processos podem ser automatizados.

Uma estrutura adequada deve buscar:

  • centralização das informações financeiras;
  • integração entre faturamento e contas a receber;
  • rastreabilidade dos títulos;
  • conciliação dos pagamentos;
  • redução de lançamentos manuais;
  • consistência entre dados financeiros e documentos fiscais.

A B3, que recebeu autorização do Banco Central para atuar como escrituradora em junho de 2026, também destaca a possibilidade de conexão direta com ERPs e plataformas, reforçando a importância da integração tecnológica para o novo ecossistema.

Duplicata escritural e Ninecon: prepare sua gestão financeira

A duplicata escritural representa uma mudança importante na infraestrutura do mercado de recebíveis brasileiro. Com a digitalização da emissão, do registro e da negociação dos títulos, empresas precisam olhar não apenas para a adequação às novas regras, mas também para a forma como seus processos financeiros estão estruturados.

Nesse cenário, integração, qualidade dos dados e automação ganham importância. Um ERP preparado para conversar com diferentes sistemas e organizar as informações financeiras pode contribuir para que a empresa tenha maior controle sobre o ciclo de recebimento.

A Ninecon atua com soluções Oracle para apoiar empresas na transformação de seus processos e na integração de sistemas. Além disso, diante das mudanças regulatórias que estão remodelando a gestão empresarial, compreender os impactos da tecnologia sobre finanças, governança e conformidade torna-se cada vez mais relevante.

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FAQ: Perguntas frequentes sobre duplicata escritural

O que é duplicata escritural?

É a versão digital da duplicata tradicional. Ela é emitida e registrada em sistemas eletrônicos autorizados, permitindo maior controle sobre titularidade, negociação e liquidação do crédito.

Quando a duplicata escritural começa a ser obrigatória?

A implementação ocorre de maneira gradual. O Banco Central estabeleceu um cronograma que prevê a adoção progressiva conforme o porte dos sacadores, com etapas previstas até 2028.

A duplicata em papel ainda pode ser utilizada?

Sim. A duplicata cartular continua válida. Entretanto, determinadas operações de crédito com instituições financeiras terão de utilizar duplicatas escriturais conforme o cronograma regulatório.

Qual a relação entre duplicata escritural e ERP?

O ERP concentra informações financeiras e pode precisar ser integrado aos sistemas que participam do ecossistema de duplicatas escriturais. Essa integração ajuda a manter alinhados faturamento, contas a receber, títulos e pagamentos.

Quais são os benefícios da duplicata escritural?

Entre os benefícios estão maior segurança, rastreabilidade, transparência, controle da titularidade dos créditos e potencial facilitação do acesso ao crédito.

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