A primeira grande onda de adequação à Reforma Tributária trouxe um cenário inédito para a TI e a controladoria das grandes empresas brasileiras: uma data de corte fixa, idêntica e inegociável para todo o mercado. Ao contrário de projetos tradicionais de implementação ou migração de ERP, onde os cronogramas podem ser diluídos, a virada fiscal exigiu que todas as companhias estivessem prontas para emitir notas e calcular os novos impostos simultaneamente.
Como uma das principais consultorias multiplataforma do país, a Ninecon vivenciou essa maratona de perto, liderando com sucesso mais de 40 projetos de go-live de transição fiscal. Essa experiência gerou um volume expressivo de inteligência consultiva e de negócios.
Abaixo, consolidamos os principais aprendizados práticos dessa jornada da reforma tributária e o alerta para o próximo gargalo que as diretorias financeiras precisam enfrentar: o split payment.
O Desafio Não é Apenas Técnico: A Reforma Tributária é Multidisciplinar
Um dos padrões mais comuns observados no mercado foi o despreparo inicial e a falta de ciência sobre a real abrangência do impacto regulatório. Muitas corporações trataram a Reforma Tributária inicialmente como um projeto isolado do departamento fiscal ou uma simples atualização técnica de alíquotas pela TI.
Na prática, a transição da reforma tributária provou-se profundamente multidisciplinar. As mudanças no modelo tributário alteram a própria precificação dos produtos e serviços. Quando a estrutura de preços muda, toda a lógica de rentabilidade da empresa e seu posicionamento de mercado precisam ser revistos. O projeto, portanto, exige o envolvimento direto do C-level, compras, vendas e planejamento estratégico.
TI Local vs. Governança Global
Para grandes empresas e multinacionais onde a estrutura de TI local se reporta a uma matriz estrangeira, a transição trouxe uma camada extra de complexidade. Convencer os comitês globais e os executivos internacionais sobre as particularidades e a urgência da matriz tributária brasileira exigiu um esforço consultivo à parte.
Nesses cenários, a estratégia de segmentar o atendimento por nível de maturidade dos sistemas foi o grande diferencial. Para empresas rodando versões de ERP que não comportavam a aplicação imediata de patches ou upgrades estruturais, a solução foi desenhar desenvolvimentos específicos e camadas fiscais paralelas (como o uso do motor fiscal do Synchro), postergando o upgrade completo do sistema central para um segundo momento, sem ferir o compliance do primeiro dia.
O Futuro dos Sistemas de Gestão: O ERP como Orquestrador de IA
Mesmo diante da rápida evolução da Inteligência Artificial (IA) no ambiente corporativo, os sistemas centrais de gestão continuam sendo a espinha dorsal das empresas. A IA não substitui o ERP; ela depende dele.
Não existe Inteligência Artificial eficiente sem uma base de dados altamente organizada e estruturada de ponta a ponta. O ERP cumpre exatamente o papel de orquestrar e estruturar esses dados de negócios, permitindo que as ferramentas de IA sejam embarcadas para simplificar a operação, acelerar auditorias e municiar tomadas de decisões humanas com maior velocidade como no fechamento financeiro (Fast Close) ou em análises preditivas de crédito.
O Próximo Alerta: O Impacto Crítico do Split Payment
Se a primeira fase da reforma tributária exigiu resiliência técnica para ajustar regras e emissões, a próxima grande virada prevista para consolidar-se a partir de 2027, trará um impacto profundo na saúde financeira das companhias: o split payment.
Esse mecanismo reterá o imposto devido de forma automática no exato momento da liquidação financeira da transação. Trata-se de uma mudança drástica na gestão de capital de giro:
“Se a sua empresa emite uma nota fiscal de R$ 1.000,00, ela não receberá mais o valor cheio em conta para recolher o tributo posteriormente. O valor líquido entrará direto no caixa, e a fatia do imposto será retida na fonte imediatamente pela instituição financeira.” – diz André nosso CEO.
Muitas organizações utilizam historicamente o prazo entre a emissão e o recolhimento do imposto como uma alavanca temporária de fluxo de caixa. Com o split payment, essa dinâmica desaparece. O desafio deixa de ser meramente técnico nos sistemas e passa a ser uma questão crítica de liquidez e tesouraria, exigindo planejamento e adaptação imediatos.
Sua infraestrutura de TI e Controladoria estão prontas para as próximas fases?
O relógio regulatório continua correndo e as janelas de implementação estão se estreitando. Conversar com quem possui a experiência prática de dezenas de go-lives reduz os riscos e protege a operação do seu negócio.
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